Quem escreveu o livro?

No menor livro do Antigo Testamento, parece que o profeta Obadias considerou cada palavra como um artigo de luxo. Aparentemente, ele não quis se permitir usar qualquer palavra para descrever a si mesmo ou a sua família de alguma forma. Por essa razão, outros doze homens chamados Obadias aparecem na Bíblia, mas os estudiosos do Antigo Testamento não conseguem identificar com certeza qualquer um deles como o autor deste livro. Embora a identidade final deste profeta seja um grande mistério, a ênfase de Obadias em Jerusalém, ao longo de sua profecia de juízo sobre a nação estrangeira de Edom, permite-nos pelo menos presumir que ele veio de algum lugar perto da cidade santa no sul do reino de Judá.

Qual o contexto?

Datar o livro de Obadias com precisão é quase impossível devido à escassez de informação histórica contida no livro. Enquanto várias opções foram propostas pelos eruditos, o melhor argumento coloca Obadias perto de 840 a.C., tornando-o o profeta escritor mais antigo, anterior a Joel e um contemporâneo de Eliseu. A maior parte da evidência para essa data adiantada vem de Obadias 1:10-14, que indica a invasão edomita de Jerusalém. Enquanto Edom era fraca demais como uma nação que poderia invadir Judá por conta própria, sem dúvida, ela participou com outras nações quando os ventos da mudança sopravam a seu favor.
Em torno de 840 a.C, quando Edom se rebelou contra o rei Jorão de Judá, os filisteus e os árabes também invadiram Jerusalém (2 Reis 8:20-22; 2 Crônicas 21:16-17). Enquanto 2 Crônicas não indica a participação dos edomitas na invasão, Obadias 1:10-14 retrata o comportamento violento que os edomitas exibiram aos seus vizinhos, esperando nas estradas próximas para dizimar aqueles que fugiram dos invasores de Jerusalém. Os edomitas poderiam facilmente ter ouvido falar da invasão de Jerusalém pelas potências estrangeiras e entraram na briga para que eles também pudessem se beneficiar de saques de seus vizinhos em Jerusalém.

Por que esse livro é tão importante?

A maior parte do livro pronuncia o julgamento sobre a nação estrangeira de Edom, tornando Obadias um dos três únicos profetas que pronunciaram julgamentos principalmente a outras nações (Naum e Habacuque são os outros). Enquanto outros livros proféticos contêm passagens de julgamento contra Edom e outras nações, o foco singular de Obadias aponta para uma verdade importante, embora difícil, sobre a relação da humanidade com Deus: quando as pessoas se afastam do povo de Deus ou se colocam em oposição a ele, elas podem esperar julgamento, em vez de restauração, no fim da vida.

Qual é a ideia principal?

O nome de Obadias, que significa “adorador de Javé”, oferece um contraponto interessante à mensagem de julgamento que ele pronunciou sobre Edom, o vizinho situado ao sudeste de Judá.¹ Como um adorador do Senhor, Obadias se colocou em uma posição de humildade diante Dele; ele abraçou seu lugar humilde perante o Deus todo-poderoso.
Deus enviar um homem chamado “adorador do Senhor” para o povo de Edom não foi um erro. Edom foi considerado culpado de orgulho diante do Senhor (Obadias 1:3). Eles se acharam maiores do que realmente eram; grandes o suficiente para zombar, roubar e até mesmo prejudicar o povo escolhido de Deus. Mas o “Senhor Jeová”, um nome que Obadias usou para enfatizar o poder soberano de Deus sobre as nações, não vai ficar de braços cruzados e deixar Seu povo sofrer para sempre (1:1 ARC). Através de Obadias, Deus lembrou Edom dos maus-tratos ao Seu povo (1:12-14) e prometeu a redenção, não para os edomitas, mas para o povo de Judá (1:17-18). A nação de Edom, que eventualmente desapareceu na história, continua a ser um dos principais exemplos da verdade encontrada em Provérbios 16:18: “O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda”.

Como colocar em prática?

A profecia de Obadias incide sobre o poder destrutivo do orgulho. Faz-nos lembrar das consequências de viver de uma forma autocomplacente, de dar prosseguimento a nossos próprios sentimentos e desejos sem considerar seus impactos sobre aqueles que nos rodeiam. Você luta para colocar de lado as suas próprias vontades e desejos em prol dos desejos de Deus e dos outros? Apesar de tal orgulho ter feito parte da vida dos seres humanos decaídos desde a tragédia da queda no Éden, Obadias nos oferece um lembrete austero para nos colocarmos sob a autoridade de Deus, sujeitarmos os nossos apetites a Seus propósitos e encontrarmos a nossa esperança de ser Seu povo quando a restauração de todas as coisas vier.

Notas de rodapé

  1. Walter L. Baker, “Obadiah”, em The Bible Knowledge Commentary: Old Testament, ed. John F. Walvoord e Roy B. Zuck (Wheaton, Ill.: Victor Books, 1985), 1453.

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