Uma perspectiva equilibrada da vergonha

“Você deveria ter vergonha na cara!”

Sem dúvida, muitos de nós como filhos já ouvimos comentários como esse da nossa mãe ou pai. Talvez a gente estivesse mentindo, brincando com fósforos, ou tomado uma multa por excesso de velocidade no carro do nosso pai. Seja qual for a infração, todos nós implicitamente sabíamos (e com razão) que deveríamos nos sentir mal sobre os erros cometidos.

Mas muitas vezes o nosso entendimento de vergonha vive nos extremos. Alguns são atraídos pela absolvição e desculpas, e encontram razões para não ter vergonha do comportamento pecaminoso pelos quais são responsáveis. Por outro lado, existem aqueles que procuram dominar os outros pela vergonha, usando-a como parte de uma punição severa e controle que não tem nada parecido com a graça e a misericórdia que Deus exibe para conosco. Nenhum desses extremos é adequado; ambos evitam as importantes verdades sobre Deus e a humanidade que Paulo deixou claro nos capítulos posteriores de Romanos.

O romancista e escritor George MacDonald escreveu: “Ser humildemente envergonhado é estar mergulhado no banho higiênico da verdade”¹ A vergonha apropriada nem paralisa outros através da dominação nem permanece completamente ausente de nós mesmos. A vergonha deve levar-nos à humildade, não à humilhação. Em sua função própria, ela serve para nos lembrar que não somos autossuficientes, que por causa da nossa fraqueza diante das tentações, precisamos confiar em Alguém maior do que nós mesmos para viver bem.

Muitas vezes nós sentimos a vergonha sobre as questões erradas ou em exagero. Paulo, em Romanos 1:16, estabeleceu um importante limite em torno da vergonha. Ele colocou à parte as coisas de Cristo, deixando a vergonha para o reino do pecado e desobediência. Por isso, faz todo o sentido para Paulo dizer que ele “não se envergonha do evangelho”. Ele não tinha nenhuma razão para ter vergonha disso!

Ao andarmos humildemente com Cristo e crescermos nEle, tornaremo-nos mais conscientes de nossas imperfeições e mais sensíveis da Sua graça. Portanto, devemos nos humilhar diante de Deus para que possamos ser purificados do nosso pecado e vergonha, deixando-nos a caminhar corajosamente no mundo como representantes de Deus na terra, falando a verdade, incentivando no amor e mostrando a bondade para com aqueles que encontramos, assim como Paulo fez.

  1. George MacDonald, George MacDonald: An Anthology, ed. C. S. Lewis (San Francisco: HarperCollins, 2001), 119.

Direitos autorais da tradução em português © 2014 por Charles R. Swindoll, Inc. Todos os direitos mundialmente reservados.

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John Adair recebeu seu Mestrado em Teologia no Seminário Teológico de Dallas, onde também concluiu seu Ph.D. em Teologia Histórica. Ele serviu por sete anos como um dos escritores do Departamento de Ministérios Criativos nos Ministérios Insight For Living. John e sua esposa, Laura, têm três filhos.