Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens! O Deus dos nossos antepassados ressuscitou Jesus, a quem os senhores mataram, suspendendo-o num madeiro. Deus o exaltou, colocando-o à sua direita como Príncipe e Salvador, para dar a Israel arrependimento e perdão de pecados. Nós somos testemunhas destas coisas, bem como o Espírito Santo, que Deus concedeu aos que lhe obedecem”. (Atos 5:29-32)
E Saulo estava ali, consentindo na morte de Estêvão. Naquela ocasião desencadeou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém. Todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e de Samaria. Alguns homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram por ele grande lamentação. Saulo, por sua vez, devastava a igreja. Indo de casa em casa, arrastava homens e mulheres e os lançava na prisão. (Atos 8:1-3)

Não devemos nos esquecer desse detalhe, à medida que estudamos a vida do homem que chamavam de Paulo. É também preciso nos prepararmos para algumas surpresas bastante repulsivas. O primeiro retrato de Paulo (que encontramos primeiro como Saulo de Tarso) é tanto brutal quanto sangrento.

Se um artista fosse pintá-lo com pincel e tinta, nenhum de nós desejaria pendurá-lo em nossa sala de estar. O homem parece mais um terrorista do que um seguidor devoto do judaísmo. Para nosso horror, o sangue do primeiro mártir espirrou nas roupas de Saulo enquanto ele ficava ali dando seu assentimento, cúmplice de um crime horrendo.

Durante toda a nossa vida adotamos naturalmente uma imagem mental cristianizada do apóstolo Paulo. Afinal de contas, foi ele quem nos deu as duas cartas aos coríntios. Paulo escreveu Romanos, a Carta Magna da vida cristã. Ele preparou a carta de libertação aos gálatas, exortando-os, assim como a nós, a viver na liberdade provida pela graça de Deus. Escreveu igualmente as epístolas da prisão e as cartas pastorais tão cheias de sabedoria e ricas de significado. Com base em tudo isso, você pensaria que o homem amava o Salvador desde o nascimento. Nem de longe.

Ele odiava o nome de Jesus. Em razão disso, Paulo se tornou um agressor reconhecido e violento, perseguindo e matando cristãos em lealdade ao Deus dos céus. Por mais chocante que pareça, nunca devemos esquecer o abismo do qual ele veio. Quanto mais compreendemos as trevas de seu passado, tanto mais compreenderemos sua profunda gratidão pela graça.

O primeiro quadro da vida de Paulo pintado nas Sagradas Escrituras não é o de uma criancinha embalada nos braços da mãe. Ele também não mostra um garoto judeu brincando com os amiguinhos da vizinhança pelas ruas estreitas de Tarso. O retrato original não é sequer um estudante de direito jovem e brilhante, sentado fielmente aos pés de Gamaliel. Essas imagens só nos levariam a pensar que ele teve um passado de livro de histórias. Em vez disso, nós o encontramos pela primeira vez simplesmente como “um jovem chamado Saulo”, participante do assassinato brutal de Estevão, de pé, “consentindo na morte” desse mártir (Atos 7:58; 8:1).

Esse é o Saulo verdadeiro que precisamos ver, a fim de apreciar realmente as verdades gloriosas das cartas do Novo Testamento escritas por ele. Não é de admirar que mais tarde Paulo viesse a ser conhecido como “o apóstolo da graça”.

Dia a dia com os heróis da féDr. Charles R. Swindoll

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Charles R. Swindoll

Charles R. Swindoll tem dedicado a sua vida ao ensino preciso e prático da Palavra de Deus e sua aplicação. Desde 1998, atua como pastor-professor sênior na Stonebriar Community Church, igreja da...

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