Você tem um museu em sua mente. É um museu de memórias.

Bodas. Aniversários. Formaturas. Feriados. Tradições de longas datas. Marcos históricos da vida. Até mesmo as recuperações das doenças graves. Cada memória fica em seu lugar, firmemente fixada em sua mente… e nas mentes de seus filhos.

Pense em você como o curador de seu museu. Você é a pessoa que cuida de seus tesouros e percebe o seu valor. Mesmo antes de seus filhos crescerem, você percebe que está beneficiando a si mesmo e a eles com as memórias valiosas de museus da vida.

Essa é a parte que me atrai no livro dos Salmos. Esses cânticos pintam quadros da vida como ela realmente é… e quando se trata de família, Salmo 127 faz isso melhor do que a maioria. Dois de seus versos falam diretamente a nós como curadores:

Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ele ama… (Salmo 127:2)

Nossas ocupações são importantes e exigem muito do nosso tempo. E com razão. No entanto, são poucos os tesouros do trabalho que ficam em nossos museus de memórias. Salomão sabiamente nos lembra neste salmo, exatamente como ele faz no livro de Eclesiastes, que é “inútil” trabalhar desde o amanhecer até depois do anoitecer, como se tudo dependesse de nós. Não depende. Aquilo é a vida à beira do abismo. Aquilo é o sistema do mundo. Excesso de trabalho às custas de nossas famílias é inútil, porque, em última análise, é Deus quem nos provê.

Mas há outra razão por que o estilo de vida no limite é inútil. Temos um museu para cuidar! Ele precisa ser preenchido com os tesouros certos. Nossa prioridade como curadores exige que demos atenção às memórias preciosas que estamos fazendo com nossas famílias. Salomão deixa isso claro:

Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá. (127: 3)

Algumas das lembranças mais importantes que estamos criando em nossos filhos e netos decorrem diretamente das nossas atitudes e ações em relação a eles. Deixe-me compartilhar três maneiras que podem ajudar a fornecer a nossos filhos e netos uma coleção de memórias preciosas que irão guardar para sempre em seus museus.

Primeiro, deixe que seus filhos e netos saibam que você os valoriza… e que você desfruta da presença deles. Cada criança é um dom e uma recompensa de Deus. Nós construímos memórias que nossas crianças estimarão quando nós os lembramos constantemente que eles são dádivas de Deus para a nossa família. Deixe-os ouvir frequentemente palavras como: “Você é a alegria da minha vida!” ou “Como é ótimo ver que você está crescendo e virando um mocinho/uma mocinha” (Eu disse isso para um dos nossos netos no almoço de hoje.)

Além de comunicar seu valor com as nossas palavras, nós também afirmamos seu valor com o nosso tempo. O tempo é o principal doador para o museu de memórias. Você é um avô? Agora é sua chance! Se seus filhos não tiveram muito do seu tempo quando eles estavam crescendo, certifique-se de que seus netos tenham esta oportunidade. Nada comunica mais o valor de uma pessoa que passar um tempo com ela.

Em segundo lugar, deixe-os ver a sua caminhada de fé autêntica… incluindo os genuínos pedidos de desculpas. Nossas famílias anseiam lembrar aquilo que proferimos através de nossas bocas, o que vivenciamos através de nossas vidas. As crianças, especialmente os adolescentes, não conseguem tolerar a hipocrisia. (Nós adultos não gostamos muito disso também.) Eu não estou falando sobre modelar a perfeição. Nós iríamos estragar tudo. Mas a parte de uma autêntica caminhada de fé inclui pedidos sinceros de desculpas quando erramos… ao invés do falso recuo para encobrir as nossas pegadas. Um cristianismo autêntico, que inclui sinceros pedidos de desculpas cria memórias preciosas que vão ficar para sempre nos museus dos seus corações – para nunca serem esquecidos. Nunca.

Em terceiro lugar, tenha prazer em ouvi-los… e rir com eles! Está bem, isso é difícil para alguns pessoas, eu entendo. Você e eu somos os mais velhos e mais sábios. Poderíamos poupar nossos filhos de muito sofrimento se eles apenas nos ouvissem! Mas as nossas palavras não podem vir primeiro. Eis o porquê: nossas palavras vão cair por terra quando deixamos de tratar suas palavras como valiosas. Nós estamos apenas perdendo nosso tempo. Eles vão aprender que nós nos preocupamos com eles porque nós os ouvimos, e não porque pregamos a eles. (Leia isso de novo.) Encontre prazer em ouvi-los. Sim, apenas ouvindo. Quando fazemos isso, temos o privilégio inestimável de ouvir o que eles dizem… de ler entre as linhas. Em pouco tempo, vamos construir um relacionamento onde eles se sentem seguros para compartilhar seus sentimentos… seus medos… seus segredos… e seus tesouros. Nós somos os curadores, lembra?

Ah, e não se esqueça de rir com eles! Eu tenho um velho ditado que nossos filhos já ouviram por anos, “Não há nada melhor que graça.” Garanto que, quando a graça deixa as nossas famílias, os nossos filhos querem sair também. Aconselho a todos a rirem muito e bem alto! (Alto é o único jeito que eu sei rir!)

Nós já temos muitas memórias guardadas em nossos museus… e nós temos muitas mais por vir. Se é verdade que as mais recentes memórias são muitas vezes o melhor lembrado, então não há melhor momento do que agora para virar uma esquina e começar guardar no museus de memórias de nossos filhos e netos as preciosas memórias que as nossas famílias anseiam estimar.

Nunca se esqueça… somos curadores dos maiores tesouros de Deus.

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Charles R. Swindoll

Charles R. Swindoll tem dedicado a sua vida ao ensino preciso e prático da Palavra de Deus e sua aplicação. Desde 1998, atua como pastor-professor sênior na Stonebriar Community Church, igreja da...

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