Quem escreveu o livro?

Oséias revelou pouco sobre seu passado, embora seu livro de profecias ofereça alguns relances de sua vida. O nome do profeta significa “salvação”, provavelmente uma referência à posição de Oséias em Israel como um farol de esperança para aqueles que se arrependessem e se convertessem a Deus por causa de sua mensagem.¹ Seguindo o mandamento de Deus, Oséias casou com Gomer, uma noiva que Deus descreveu como “uma mulher de prostituições” (Oséias 1:2 ARC) e uma mulher que deu a Oséias três crianças: dois filhos e uma filha (1:4, 6, 9). Deus usou os nomes dos filhos de Oséias, juntamente com a infidelidade de sua esposa, para enviar mensagens específicas ao povo de Israel.

Qual o contexto?

Em Oséias 1:1, o profeta identificou os quatro reis que governaram durante o seu ministério profético – Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias. O primeiro dos quatro reinou sobre Judá, o reino do sul, de 790 a 686 a.C., enquanto Jeroboão II governava o reino norte de Israel de 782 a 753 a.C. Isso indica que Oséias viveu do meio para o final do século VIII a.C. (755-715 a.C.), fazendo dele um contemporâneo dos profetas Isaías e Miquéias.
Oséias dirigiu a parte inicial de suas advertências proféticas a Jeroboão II, um descendente da casa de Jeú, cujo filho, Zacarias, logo chegaria à ruína (Oséias 1:4; 2 Reis 15:8-12). Como essa profecia contra os descendentes de Jeroboão envolvia o nascimento dos filhos de Oséias, podemos concluir que ele viveu no reino do norte, onde os nomes de seus filhos teriam tido o maior impacto.

Por que esse livro é tão importante?

Mais do que qualquer outro profeta, Oséias vinculou a sua mensagem intimamente à sua vida pessoal. Ao se casar com uma mulher que ele sabia que eventualmente iria trair a sua confiança e dar aos seus filhos os nomes que enviaram as mensagens de julgamento a Israel, a palavra profética de Oséias fluiu da vida de sua família. O ciclo de arrependimento, redenção e restauração evidente na profecia – até mesmo no casamento de Oséias (Oséias 1:2; 3:1-3) – permanece intimamente ligado às nossas vidas. Esta sequência se desenrola na vida de pessoas reais, lembrando-nos de que as Escrituras estão longe de ser um mero conjunto de afirmações abstratas sem relação com a vida real. Não, elas trabalham a seu modo no nosso dia-a-dia, arbitrando sobre as questões que impactam todas as nossas ações e relações.

Qual é a ideia principal?

Estruturado em cinco ciclos de julgamento e restauração, o livro de Oséias deixa claro seu tema repetitivo: Apesar de Deus trazer julgamento sobre o pecado, Ele sempre vai trazer seu povo de volta a Ele também. O amor de Deus por Israel, uma nação de pessoas mais interessadas em si do que na direção de Deus para suas vidas, brilha claramente contra a escuridão de sua idolatria e injustiça (Oséias 14:4).
Ao longo do livro, Oséias retratou as pessoas se afastando do Senhor e voltando-se para outros deuses (4:12-13; 8:5-6). Esta propensão para a idolatria significava que os israelitas viviam como se não fossem o povo de Deus. E se Deus lhes disse tanto através do nascimento do terceiro filho de Oséias, Lo-Ami, Ele também lhes lembrou que Ele finalmente iria restaurar o seu relacionamento com Ele, usando a linguagem intimista e pessoal dos “filhos” para descrever o seu povo rebelde (1:9-10; 11:1).

Como colocar em prática?

Você conhece o poder salvador de Deus, que agora é oferecido a nós através de Seu Filho, Jesus? Se assim for, como um filho redimido de Deus, você já ofereceu a “redenção” ou o perdão àqueles em sua vida que estavam sob o seu julgamento? O livro de Oséias não só fornece um exemplo do amor de Deus a um povo que o deixou para trás, mas também nos mostra como o perdão e restauração são, em uma relação estreita. O livro de Oséias ilustra que ninguém está além da oferta de nosso perdão, porque ninguém fica fora da oferta de perdão de Deus. Certamente, Deus traz o juízo sobre aqueles que se voltam contra Ele, mas o ato poderoso de restauração dentro do próprio casamento de Oséias estabelece um patamar alto para aqueles que buscam a piedade em nossas vidas.

Notas de rodapé

  1. Francis Brown, S. R. Driver, e Charles A. Briggs, The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon (Peabody, Mass.: Hendrickson, 2006), 448.

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