Quem escreveu o livro?

Como é o caso de quase todos os livros dos “profetas”, o livro de Isaías leva o nome de seu autor. Isaías era casado com uma profetisa que lhe deu pelo menos dois filhos (Isaías 7:3; 8:3). Ele profetizou sob o reinado de quatro reis de Judá – Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (1:1) – e ele provavelmente conheceu a sua morte sob o reinado de um quinto, o malvado rei Manassés. A tradição cristã, logo no século II identifica Isaías como um dos profetas cuja morte é descrita em Hebreus 11:37, especificamente o profeta que foi “serrado ao meio”.¹ Isaías provavelmente viveu em Jerusalém, dada a preocupação do livro com a cidade (Isaías 1:1) e sua proximidade significativa com pelo menos dois reis durante o período de sua profecia (7:3; 38:1).

Muitos dos eruditos nos últimos dois séculos atribuíram vários escritores ao livro de Isaías, dividindo o livro em três seções: 1-39, 40-55, e 56-66. No entanto, essas divisões saíram de uma negação acadêmica da profecia preditiva. Essa posição não só limita o poder de Deus para se comunicar com o Seu povo, mas também ignora a grande variedade de reivindicações específicas e proféticas sobre Jesus Cristo espalhadas por todo o livro.

Qual o contexto?

Isaías profetizou de 739-681 a.C. a uma nação que se fez de surda ao Senhor. Em vez de servi-Lo com humildade e oferecer amor a seus vizinhos, a nação de Judá ofereceu sacrifícios sem sentido no templo de Deus em Jerusalém e cometeu injustiças em todo o país. O povo de Judá voltou as costas a Deus e alienou-se Dele, o que criou a necessidade de Isaías pronunciar o julgamento – declarações feitas na esperança de que o povo escolhido de Deus se voltasse a Ele.

Por que esse livro é tão importante?

O livro de Isaías nos fornece a mais abrangente imagem profética de Jesus Cristo em todo o Antigo Testamento. Ele inclui o escopo completo de Sua vida: o anúncio de Sua vinda (Isaías 40:3-5), Seu nascimento virginal (7:14), Sua proclamação das boas novas (61:1), Sua morte sacrificial (52:13-53:12), e Seu retorno para reivindicar o que era Seu (60:2-3). Devido a estes e outros inúmeros textos cristológicos em Isaías, o livro permanece como um testemunho de esperança no Senhor, Aquele que salva o Seu povo deles mesmos.

Qual é a ideia principal?

O tema geral de Isaías recebe a sua afirmação mais clara no capítulo 12: “Deus é a minha salvação; terei confiança e não temerei” (Isaías 12: 2). Isso reflete o significado do nome de Isaías, que significa a “salvação do Senhor.”² Depois de ler o livro, pode-se perguntar sobre a forte presença do julgamento que atravessa os primeiros trinta e nove capítulos quando o tema é a salvação. Como os dois podem coexistir ao mesmo tempo? A presença do julgamento indica a sua necessidade da ocorrência de salvação. Antes de podermos ter a salvação, temos que ter uma necessidade por ela!

Assim, a maior parte dos primeiros capítulos de Isaías detalha julgamentos contra as pessoas que viraram as costas para o Senhor, mostrando-nos que aqueles que persistem em sua rebelião receberão julgamento. Por outro lado, vemos também a fidelidade de Deus à Sua promessa. Ele vai preservar um pequeno remanescente de crentes fiéis, aqueles que continuarão no glorioso mundo renovado que Ele preparou para Seus filhos no fim dos tempos (65:17-66:24).

Como colocar em prática?

Devido ao seu âmbito, Isaías contém uma das expressões mais claras do evangelho em todo o Antigo Testamento. Desde o primeiro capítulo, fica claro que as pessoas se afastaram de Deus e falharam em suas responsabilidades como Seus filhos (Isaías 1:2-17). No entanto, Deus oferece milagrosamente a esperança a este povo que não se arrepende, concedendo a purificação dos pecados e a bênção que vem com a fé e obediência a Ele (1: 18-20). A salvação está somente em Deus, a única questão é se vamos ou não aceitar a oferta.

Além de sua mensagem do evangelho, o livro de Isaías articula claramente os pecados do povo de Deus, que trata os outros injustamente, resultando assim, em sua oferta de sacrifícios hipócritas a Deus. Você vê alguma coisa em sua vida que pode se enquadrar na crítica de Isaías de injustiça, tal como tratar a família, colegas, ou até mesmo estranhos com indelicadeza ou desdém? A mensagem de Isaías é também um apelo para que os crentes voltem à pureza do nosso amor a Deus e aos nossos vizinhos (Lucas 10:26-28).

Notas de rodapé

  1. Justin Martyr, Dialogue with Trypho, 120.5, trad. Thomas B. Falls, ed. Michael Slusser (Washington DC: Catholic University of America Press, 2003), 181.
  2. Francis Brown, S. R. Driver, e Charles A. Briggs, The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon (Peabody, Mass.: Hendrickson, 2006), 447.

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