Quando ninguém está por perto e quando somos capazes de ser absolutamente honestos conosco mesmos diante de Deus, nós acalentamos certos sonhos e esperanças.

Queremos muito até o final dos nossos dias ter ____________________ (preencha o espaço em branco).

No entanto, pode ser que venhamos a morrer com esse desejo não realizado. Se isso ocorrer, será uma das coisas mais difíceis do mundo para encararmos e aceitarmos.

Davi ouviu o “não” do Senhor e silenciosamente aceitou, sem ressentimento. Isso é terrivelmente difícil de fazer. Mas encontramos, nas últimas palavras registradas de Davi, um retrato em tamanho natural de um homem segundo o coração de Deus.

Após quatro décadas de serviço a Israel, o rei Davi, velho e talvez curvado pela idade, olhou pela última vez para os rostos dos seus seguidores de confiança. Muitos deles representavam memórias distintas na mente do ancião. Aqueles que iriam continuar seu legado o cercaram, esperando para receber as últimas palavras de sabedoria e a instrução. O que o rei de setenta anos de idade iria dizer?

Ele começou com a paixão de seu coração, puxando a cortina para revelar o seu desejo mais profundo, os sonhos e planos para a construção de um templo ao Senhor (1 Crônicas 28: 2). Foi um sonho que não se realizou em sua vida. “Mas Deus me disse”, Davi disse ao seu povo: “Você não construirá um templo em honra ao meu nome, pois você é um guerreiro e matou muita gente” (28: 3).

Sonhos dificilmente morrem. Mas, em suas palavras de despedida, Davi optou por se concentrar no que Deus havia permitido que ele fizesse, isto é, reinar como o rei de Israel, estabelecer seu filho Salomão sobre o reino, e passar o sonho para ele (28: 4-8). Então, em uma bela oração, uma expressão improvisada de adoração ao Senhor Deus, Davi louvou a grandeza de Deus, agradecendo-Lhe pelas Suas muitas bênçãos, e em seguida intercedeu pelo povo de Israel e pelo seu novo rei, Salomão. Separe algum tempo extra para ler a oração de Davi, devagarinho e com cuidado. Ela se encontra em 1 Crônicas 29:10-19.

Ao invés de mergulhar na auto-piedade ou amargura sobre o seu sonho não realizado, Davi louvou a Deus com um coração agradecido. O louvor deixa a humanidade para fora do quadro e se concentra totalmente na exaltação do Deus vivo. A lupa de louvor sempre olha para cima.

“Bendito sejas, ó Senhor, Deus de Israel, nosso pai, de eternidade a eternidade. Teus, ó Senhor, são a grandeza, o poder, a glória, a majestade e o esplendor, pois tudo o que há nos céus e na terra é teu. Teu, ó Senhor, é o reino; tu estás acima de tudo. A riqueza e a honra vêm de ti; tu dominas sobre todas as coisas. Nas tuas mãos estão a força e o poder para exaltar e dar força a todos. (29: 10-12)

Quando Davi pensou na graça abundante de Deus, que dava ao povo uma coisa boa atrás da outra, o seu louvor então virou-se para ação de graças.

“Agora, nosso Deus, damos-te graças, e louvamos o teu glorioso nome” (29:13).

Davi reconheceu que não havia nada de especial sobre o seu povo. Sua história era de errantes e moradores da tenda; e suas vidas eram como sombras inconstantes. No entanto, por causa da grande bondade de Deus, eles foram capazes de fornecer tudo o que era necessário para construir o templo para Deus (29: 14-16).

Davi foi cercado por riquezas ilimitadas, porém toda essa riqueza nunca conquistou o seu coração. Ele pelejou em outras batalhas internas, mas nunca a da ganância. Davi não foi o refém do materialismo. Ele disse, com efeito: “Senhor, tudo o que temos é seu — todos esses elementos lindos que oferecemos para o seu templo, o lugar onde eu moro, a sala do trono — é tudo seu, tudo.” Para Davi, Deus era o dono de tudo. Talvez tenha sido essa atitude que permitiu ao monarca lidar com o “não” de Deus em sua vida; ele estava confiante de que Deus estava no controle e que os planos de Deus eram melhores. Davi segurava tudo frouxamente.

Em seguida, Davi orou pelos outros. Ele intercedeu pelas pessoas que ele governou por 40 anos, pedindo ao Senhor que se lembrasse de suas ofertas para o templo e que atraisse seus corações a Ele (29: 17-18). Davi também orou por Salomão:

“dá ao meu filho Salomão um coração íntegro para obedecer aos teus mandamentos, aos teus preceitos e aos teus decretos, a fim de construir este templo para o qual fiz os preparativos necessários” (29:19).

Essa magnífica oração continha as últimas palavras registradas de Davi. Pouco tempo depois, ele morreu “tendo desfrutado vida longa, riqueza e honra” (29:28). Que maneira privilegiada de terminar a vida! Sua morte é um lembrete oportuno de que quando um homem de Deus morre, nada de Deus morre.

Embora alguns sonhos não sejam realizados, um homem ou uma mulher de Deus ainda pode responder ao Seu “não” com o louvor, agradecimento e intercessão… porque quando um sonho morre, nada dos propósitos de Deus morre.

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Artigo extraído de Charles R. Swindoll, David: A Man of Passion & Destiny (Dallas: Word, 1997), 285–88, 292–93. Copyright © 1997 Charles R. Swindoll, Inc. Reservados todos os direitos mundialmente.

Charles R. Swindoll

Charles R. Swindoll tem dedicado a sua vida ao ensino preciso e prático da Palavra de Deus e sua aplicação. Desde 1998, atua como pastor-professor sênior na Stonebriar Community Church, igreja da...

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