Há uma série de pontos de vista sobre como os escritos antigos realmente se tornaram parte da nossa Bíblia. Alguns têm dito que, por razões políticas e teológicas, um conselho de bispos votou nesses livros específicos entre centenas de escritos concorrentes. Outros dizem que a Igreja vasculhou cada livro através de um teste rigoroso para determinar se esse era inspirado. A questão da “canonicidade” dos livros da Bíblia é um tópico importante. (A palavra cânon, nesse contexto, significa a “regra” ou “padrão”). Separar a realidade da ficção nessa matéria irá ajudar a fortalecer a nossa confiança de que a Bíblia que temos em mãos contém apenas os livros que são destinados a estar lá – e nada mais.

Porque os cristãos receberam o cânon do Antigo Testamento dos judeus, houve, então, pouco debate sobre o que deveria ser incluído. Assim, para os primeiros cristãos, a “Escritura” consistia em livros do Antigo Testamento como os que temos em nossas Bíblias hoje. No entanto, durante os primeiros sessenta anos da Igreja (até cerca de 100 D.C.), os documentos importantes dos apóstolos e profetas guiados pelo Espírito ainda estavam sendo escritos. A consolidação desses vários escritos no que chamamos o Novo Testamento levou algum tempo.

Como isso ocorreu? Os líderes e comunidades cristãos a quem os apóstolos e profetas escreveram originalmente sabiam quais eram os livros autênticos (escrito por um verdadeiro apóstolo ou profeta), verdadeiros (a informação era confiável), e, portanto, de autoridade (os apóstolos haviam recebido autoridade para liderar a Igreja, de modo que suas palavras eram comandos de Deus). Quase imediatamente, esses escritos apostólicos começaram a ser copiados e repassados para países vizinhos e igrejas distantes. Em pouco tempo, as igrejas começaram a usar esses escritos do “Novo Testamento” no ensino e na adoração. Assim, para a maioria dos livros, havia pouca dúvida sobre se eram ou não autoridade para a fé e a prática das igrejas.

Mesmo quando ouvimos falar sobre livros “questionados”, devemos realmente ser encorajados, em vez de desanimar, porque isso indica que os líderes da Igreja Primitiva eram extremamente cautelosos quanto aos escritos sobre os quais tinham dúvidas. No entanto, uma vez que eles foram capazes de pesquisar a origem e o conteúdo dos livros, eles chegaram a um consenso do que seria a ser aceito como autoritativo. A afirmação do nosso presente cânon do Novo Testamento no Concílio de Cartago (397 dC) não foi uma votação sobre esses livros comparando com os documentos concorrentes, mas um reconhecimento dos escritos que os cristãos de todo o mundo já haviam aceitado.

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Adaptado de Charles R. Swindoll, The Way of Truth in a World of Fiction: Beyond the Di Vinci Code workbook (Plano, Texas: Insight for Living Publishing, 2006): 72-73. Copyright © 2006 Charles R. Swindoll, Inc. Todos os direitos reservados mundialmnte. Usado com permissião.

Michael J. Svigelvwsa

Michael J. Svigel recebeu seu Mestrado de Teologia em Novo Testamento e Doutorado de Filosofia em Estudos Teológicos do Seminário Teológico de Dallas (DTS). Atualmente atua como o Professor Associa...

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