“O mundo não gira em torno de você!”, “Você não é o centro do universo”, “Sua mãe e eu somos o sol!; você é a lua!”

Aposto que minha esposa Christy e eu temos dito algo parecido para nossos filhos centenas, se não milhares de vezes, porque eu tenho cinco desses malandrinhos em casa. Tenho certeza de que seus filhos não são assim, mas meus filhos são egoístas. Como a minha mãe costuma dizer: “Eles ganharam isso naturalmente”. Esse é o jeito dela de dizer que eu sou egoísta também.

Uma das melhores maneiras que Christy e eu descobrimos para lidar com o egoísmo de nossas crianças, ou reorientar suas órbitas, se você preferir, foi de ensiná-los a usar duas palavras simples: por favor.

Alicia Aspinwail escreveu uma história infantil maravilhosa sobre os “Por Favores” que vivem em nossas bocas. Para que seu Por Favor se mantenha forte e feliz, ele precisa de muito ar fresco, que ele só pode conseguir se você o colocar para fora de sua boca. Quanto mais você puser seu Por Favor para fora, mais forte e mais feliz ele se torna, e mais simpático e educado você se torna.

Deixar o seu Por Favor com bastante ar fresco é um pouco como a oração. A oração é pedir ao Pai as coisas certas do jeito certo. Parece egoísta, mas não é. Deus já sabe o que você precisa e deseja, mas Ele nos convida a pedir de qualquer maneira. O que precisamos aprender, como Seus filhos, é pedir as coisas certas, da maneira correta. Agora lembre-se, a oração é mais do que uma lista de Natal apresentada com a palavra por favor rabiscada em toda ela. A oração é também escutar; é adorar; é moldar a minha vontade na vontade de Deus, reconhecendo que eu não sou o centro do universo. No entanto, como todo bom pai sabe, e Deus, sobretudo, um dos melhores lugares para começar a reorientar a órbita de seus filhos é ensiná-los a pedir as coisas que eles precisam e querem, de forma adequada. E é isso que Jesus ensinou em Lucas 11: 1-13.

Depois de um tempo de oração, um discípulo se aproximou de Jesus e lhe pediu para ensiná-los a orar (Lucas 11: 1). Jesus de bom grado os instruiu sobre o que orar, como orar com a atitude correta, e por que eles deveriam orar. Nós vamos olhar para o primeiro ponto de Jesus neste artigo e discutir os pontos restantes em “Veja como e por que Jesus diz que devemos orar”.

 

Pelo que devemos orar:

Na oração que se tornou conhecida como O Pai Nosso ou a Oração do Senhor, embora devesse ser chamada de “oração dos discípulos”, Jesus nos ensina a orar por cinco coisas.

 

Em primeiro lugar, devemos orar para que a reputação de Deus seja revelada como santa em nossas vidas.

“Pai! Santificado seja o teu nome” (Lucas 11: 2). Quando nós “santificamos” alguma coisa, nós a tratmos como santa, com reverência. Quando nos aproximamos de Deus em oração, devemos tratar o Seu nome, Seu caráter, Sua pessoa como algo santo, separado da sujeira deste mundo corrupto e corruptor.

E porque nós levamos o nome de Deus, como Seus filhos, o que fazemos e o que dizemos reflete a reputação de Deus. É por isso que Jesus disse que devemos orar para que a reputação de Deus seja revelada como santa em nossas vidas.

 

Em segundo lugar, devemos orar para que o amor e a justiça de Deus reinem na terra.

Venha o teu Reino (Lucas 11:2).

A passagem companheira em Mateus 6 acrescenta a frase útil:

Seja feita a tua vontade, Assim na terra como no céu. (Mateus 6:10)

Ou como Eugene Peterson traduz Mateus 6:10 em A Mensagem:

Dá um jeito neste mundo.

Faz o que é melhor — tanto aí em cima quanto aqui em baixo.

Vivemos em um mundo de cabeça para baixo. Um negócio vai por água abaixo, e o governo lhe dá o dinheiro; outro negócio é bem sucedido financeiramente, e o governo toma o seu dinheiro. Onde está a justiça nisso? Um motorista bêbado bate numa minivan e mata a família, mas o bêbado vai embora com apenas um arranhão. Onde está a justiça nisso? Uma mulher é estuprada, mas seu estuprador fica livre, sem punição. Onde está a justiça nisso? Nós queremos que cada um receba o que lhe é devido, que os bons sejam recompensados e os maus sejam punidos. Esta é a justiça. E Jesus nos diz para orar pela sua prática na terra.

 

Terceiro, devemos orar pelas provisões diárias.

Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano (Lucas 11: 3).

Ou:

Conserva-nos vivos com três boas refeições. (Lucas 11: 3 A Mensagem).

Ao chamar Deus de “Pai”, você reconhece a sua dependência diária dEle, contando com o Pai para atender às suas necessidades diárias. Não podemos jamais sobreviver pelos nossos próprios esforços. Todos nós precisamos de outras pessoas. E todos nós precisamos de Deus especialmente, a cada dia.

Nossa dependência de Deus é dia-a-dia. Deus nos dá o que precisamos para hoje, não para amanhã, não até que amanhã se torne hoje. Então, Ele nos dá o suficiente para aquele dia. Tem sido sempre assim. No deserto Deus deu aos israelitas maná suficiente para alimentá-los durante um dia de cada vez (Êxodo 16: 4, 21). Então Jesus nos encorajou a não nos preocuparmos com o amanhã, porque “o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34).

 

Em quarto lugar, devemos orar pelo perdão dos pecados.

Perdoa-nos os nossos pecados,

Pois também perdoamos a todo os que nos devem. (Lucas 11: 4)

Pedir o perdão é um ato de humildade… e muitos de nós somos relutantes em fazê-lo; somos muito orgulhosos. Preferimos apontar o dedo e culpar os outros. Ganhamos a culpa naturalmente. Está em nosso DNA espiritual, indo todo o caminho de volta até a nossa pai e mãe original, Adão e Eva. É como o jogo de batata quente, Adão culpou Eva (e Deus) e Eva culpou a serpente (Gênesis 3:12-13).

A verdade é que o seu pecado é o seu pecado, você deve admiti-lo. Seu pecado não é culpa de ninguém, mas é sua culpa. Portanto, leve este conselho a sério: a maneira mais fácil de engolir o orgulho é enquanto ele ainda está quente. Quanto mais frio fica, mais difícil é de engolir.

Agora observe a segunda metade de Lucas 11: 4:

Pois também perdoamos a todo os que nos devem.

Há uma ligação inseparável entre ser perdoado e perdoar. Paulo disse:

Sejam gentis e sensíveis ao próximo. Perdoem-se uns aos outros assim como Deus em Cristo os perdoou. (Efésios 4:32 A Mensagem).

O perdoado deve ser um perdoador.

 

Finalmente, devemos orar para que Deus nos proteja da tentação.

E não nos deixes cair em tentação (Lucas 11: 4).

Ou, para colocar em palavras tudo o que podemos compreender:

Guarda-nos de nós mesmos e do Diabo (Lucas 11: 4 A Mensagem).

Se você não tomar cuidado você vai ler isso e achar que a oração é um pedido a Deus para não nos tentar. Mas Deus nunca nos tenta a pecar!

Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: ‘Estou sendo tentado por Deus’. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. (Tiago 1:13).

Então onde é que a tentação vem? Ela vem da sua própria pecaminosidade, sua natureza pecaminosa.

A tentação nasce dos impulsos incontroláveis dentro de nós. Se cedermos a esses impulsos, logo o pecado mostrará sua cara. E, quando o pecado toma conta da situação, o resultado é a morte. (Tiago 1: 14-15 A Mensagem).

Isto é o que João chama de “a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens” (1 João 2:16).

Isso me faz lembrar de uma história. Um menino de três anos de idade foi tentar explicar por que ele estava tentado a comer um biscoito que era proibido a ele. De pé em uma cadeira com o biscoito em sua boca, ele disse: “Eu só subi para cheirá-los e meu dente ficou preso”.

É o nosso próprio dente que nos deixa em apuros, não o biscoito.

Por isso, quando oramos, “não nos deixeis cair em tentação”, estamos pedindo a Deus para nos proteger de nós mesmos. E se vamos focar nossa atenção no Pai, Ele o fará.

Nada de confiar em vocês mesmos. Isso é inútil! Mantenham a confiança em Deus. Nenhuma tentação, nenhum teste que surge no caminho de vocês é maior que o enfrentado por outros. Tudo que vocês precisam lembrar é que Deus não deixará que fracassem. Ele nunca permitirá que sejam pressionados além do limite, mas estará sempre com vocês para ajudá-los a vencer a tentação. (1Coríntios 10: 12-13 A Mensagem)

Na segunda parte, veremos como orar com a atitude certa e a razão pela qual podemos orar com esse tipo de atitude.

A Oração do Senhor não é uma fórmula mágica. Não é um encantamento. Mas para aqueles que aprendem a se humilhar e pedir ao Pai as coisas certas do jeito certo, a oração pode se tornar uma rica fonte de encorajamento, alegria e paz.

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Adaptado de Derrick G. Jeter, “The Spiritual Discipline of Prayer, Part 1,” da série Building Spiritual Muscles, Coffee House Fellowship, Stonebriar Community Church, Frisco, Tex., January 18, 2009. Copyright © 2009 por Derrick G. Jeter. Todods os diitos reservados mundialmente. Usado com permissão.

Derrick G. Jeter

Derrick G. Jeter possui um Mestrado em Teologia no Seminário Teológico de Dallas e serviu como um dos escritores no Departamento de Ministérios Criativos nos Ministérios Insight For Living. Ele fo...

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