Talvez esta seja uma das características mais marcantes quando pensamos na pessoa de Jesus… Ele é o filho de Deus!

Numa cultura em que Deus era considerado e reverenciado como o altíssimo, o todo poderoso, o grande Eu sou, quando nem mesmo se ousava referir ao nome de Deus, introduzir a ideia de “Pai nosso” foi no mínimo audacioso e inusitado da parte de Jesus.

Mas essa foi uma grande contribuição para nossa relação com Deus, o qual é, sem dúvida, altíssimo, todo poderoso e grande… Mas também o “pai nosso”… Alguém presente e amoroso!

Eu venho de uma geração em que pai era a pessoa  que  colocava limites, que tinha a grande responsabilidade de ser o provedor e de passar os valores. E pra ser bem coerente com isso, o pai assumia uma postura séria! Pai não ficava sorrindo muito, precisava mostrar autoridade… Quando o pai falava, ninguém dava um “piu”!

Como pai, eu era muito duro com os meus filhos, achava que essa era a minha responsabilidade, tinha que ser severo para que eles crescessem com os valores corretos. Eu havia aprendido isso com o meu pai.

Quando eu era menino, meu pai se esforçava para mostrar valores corretos, mas ele não era um pai afetuoso… Um homem deve acordar cedo, ser trabalhador, pagar as contas e prover para a família.  Não me lembro do meu pai me abraçando e beijando, cresci achando que esse era o padrão.

Hoje é diferente, os pais estão mudados. A geração do meu filho e dos meus genros é diferente. Eles são homens afetuosos! Assumem sem problema o cuidado dos filhos… Dão banho, trocam fralda, preparam comida, levam pra escola… Esses jovens pais, quando querem anunciar a chegada do bebê, afirmam sem medo de serem felizes… “Nós estamos grávidos”! Isso é esquisito para mim! Eu nunca fiquei gravido, só a minha mulher!

Há vários textos importantes na Bíblia que mostram essa relação de proximidade entre Jesus e Deus… Aba pai. Essa expressão tem a ver com a afetividade na relação com o pai…  Pai, meu pai, ou paizinho.

Vemos isso em Gálatas 4:6, Marcos 14:36 e em  Romanos 8:15, onde encontramos a expressão “Aba pai”, uma importante referência dessa relação entre Jesus e Deus Pai.

Leia Romanos 8:15-16:

Pois vocês não receberam um espírito que os escravize para novamente temer, mas receberam o Espírito que os adota como filhos, por meio do qual clamamos: “Aba, Pai”.  O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus.
Porque somos filhos de Deus, podemos participar dessa relação com Deus, o Pai. Deus colocou o seu Espírito em nosso coração, o Espírito que nos autentica, nos registra no cartório como filhos e, como Jesus, podemos nos relacionar com o Pai como Aba.
O Espírito Santo não é um poder apenas, um ser neutro… Ele habita em nós para possibilitar essa mesma relação com Deus pai.  O Espírito atua em nós para uma relação com esse Deus que é altíssimo e que é ao mesmo tempo Aba pai . O Espírito Santo sente, clama, chora, se alegra conosco!

Quando eu entreguei minha vida a Jesus, uma das áreas que passou por grande transformação foi a minha relação com a paternidade, e a relação com o meu pai foi o primeiro passo para isso. Eu comecei a aprender sobre como deveria ser a relação entre pais e filhos, aprender que é possível ser um pai que transmite valores e que ao mesmo tempo é amoroso. Mas eu precisei dar o primeiro passo para romper a distância: ir e beijar o meu pai foi o primeiro passo para uma relação de maior afetividade.

Mas aquela visão de pai “autoridade” ainda estava muito arraigada em mim e, mesmo sem querer, eu continuava sendo para os meus filhos um pai mais preocupado em passar valores, em prover, em orientar do que propriamente ser amoroso e companheiro.

O Espírito Santo me ajudou a reconhecer minha incapacidade de demonstrar afeto e a necessidade de pedir perdão aos meus filhos. Primeiramente ao meu filho, que, por ser o mais velho saiu primeiro de casa e hoje é pai. Eu o admiro pela forma como demonstra afetividade e se preocupa em transmitir valores às suas filhas.

Nossas duas filhas conviveram um pouco mais comigo nessa minha nova versão masculina, mais afetuosa, mas o nosso filho não. Então, eu precisei me dirigir a ele e pedir perdão e declarar o meu desejo de ser mais próximo. Ele iria continuar contando com o pai que cuida, que se preocupa, que pode orientar, mas ele teria também o pai afetuoso, uma nova versão de pai, um pai mais light!

Neste dia dos pais, meu recado não é aos filhos, meu recado é aos pais. Saiba que os seus filhos precisam de uma nova versão sua.

Eles precisam de um pai que transmite valores, que trabalha duro para que eles possam ter sustento e aprendam o valor do trabalho, um pai que coloca limites, que vive segundo os valores que prega, mas você pode ser tudo isso e ser também afetuoso, beijar e abraçar… Aproveitar a vida enquanto brinca com os seus filhos pequenos… Se divertir enquanto desenvolve uma amizade sólida com os adolescentes e jovens… Estabelecer uma relação de respeito e de intimidade, como a que Jesus possuía com o seu pai…

Você, pai, que se vê muito distante daquilo que deveria ser como pai, que tem consciência de que tem falhado em ser um homem que ensina valores e um pai que demonstra afeto, aproveite este dia especial para mudar definitivamente a relação que vem tendo com os seus filhos. Procure cada um deles e peça perdão com sinceridade. Apresente a eles essa nova versão de você mesmo …  Aba pai.
Feliz dia dos pais!

Pr. Fernando Bochio

Fernando Bochio

Fernando Bochio é pastor há mais de 35 anos. Professor de Teologia, conferencista, consultor internacional para organizações cristãs, atua também no mentoreamento e coaching de pastores e lidere...

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